Lar BrasilPreterido por Michelle, senador aposta em caso Master para ser candidato ao governo no DF

Preterido por Michelle, senador aposta em caso Master para ser candidato ao governo no DF

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Líder da oposição no Congresso Nacional, o senador Izalci Lucas (PL-DF) usou a tribuna do parlamento nos últimos dias e abriu uma nova disputa pré-eleitoral dentro do PL. No centro do conflito está a corrida ao governo do Distrito Federal. Enquanto Izalci Lucas coloca-se como pré-candidato pelo partido, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) defende o apoio da sigla à governadora Celina Leão (PP-DF).

“Hoje nós estamos em um momento de completa indefinição no cenário eleitoral: a governadora Celina Leão será julgada na operação Drácon, que pode torná-la inelegível. […] Então, veja, nem os candidatos que estão postos têm certeza de suas candidaturas”, declarou Izalci Lucas. Celina é investigada pelo suposto esquema de pagamento de propina envolvendo deputados da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O discurso no Senado veio um dia depois dele ter lançado a própria pré-candidatura ao governo do DF à revelia da cúpula do PL e ter sido repreendido publicamente pela ex-primeira-dama. O presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, delegou aval a Michelle na articulação das candidaturas no Distrito Federal para as eleições deste ano.

Desta forma, o anúncio de Izalci Lucas surpreendeu a cúpula do PL e gerou mais um “climão” entre a família Bolsonaro e filiados do PL que almejam a disputa nas urnas em outubro. Com o encerramento da janela partidária e sem espaço na chapa majoritária articulada por Michelle, Lucas partiu para o tudo ou nada na tentativa de tornar a pré-candidatura própria um fato consumado e, assim, impô-la ao partido.

A possibilidade de reeleição ao Senado também tem a ex-primeira-dama no caminho. Michelle ainda não anunciou a pré-candidatura oficial, mas seu próprio nome e o da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) são os mais cotados para tentar o Senado pela sigla. Além disso, a dupla feminina reafirmou o apoio à tentativa de reeleição de Celina Leão, que assumiu o governo após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), que também pretende disputar o Senado.

Izalci Lucas aposta em desgaste do governo Celina Leão por envolvimento do BRB com Banco Master

Para ter o apoio do PL, Lucas trabalha no desgaste de Celina e da cúpula do governo do DF como um todo pelo envolvimento e prejuízo do Banco de Brasília, o BRB, nas relações com o Banco Master, além de outros casos. No último dia 16, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, que ficou no cargo de 2019 até o final de 2025, indicado na gestão de Ibaneis Rocha, foi preso.

Costa e Daniel Monteiro, advogados do Master, foram presos em uma nova fase da operação Compliance Zero, que apura irregularidades envolvendo os negócios do BRB com o banco de Daniel Vorcaro. A operação aconteceu após autorização de André Mendonça, relator do caso no STF.

Parlamentares próximos ao senador relataram à Gazeta do Povo que Izalci Lucas aposta que as investigações em torno do escândalo ainda vão, no mínimo, causar constrangimentos para a atual governadora, o que obrigaria o PL a retirar seu apoio para não atrapalhar o projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e, assim, lançar um candidato próprio.

“Eu vim para o PL em 2024 evidentemente com essa ideia de ser candidato ao governo do Distrito Federal, mas ainda não tinha conversado com a Michelle”, afirmou o senador Izalci Lucas em entrevista à Gazeta do Povo. “Sequer anunciei que sou pré-candidato e já estou no páreo, assim temos que ir em frente. Já conversei com o Valdemar, conversei com o Flávio e disse que ia trabalhar por essa candidatura”, completou.

Na decisão que autorizou a nova fase da operação Compliance Zero, o ministro André Mendonça aponta que as apurações “revelam, em tese, a existência de uma engrenagem ilícita concebida para viabilizar a fabricação, venda e cessão de carteiras de crédito fictícias do Banco Master ao BRB, com expressivo impacto patrimonial e institucional”.

Mendonça cita informações do Ministério Público de que Paulo Henrique Costa recebeu vantagem indevida em seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146,5 milhões, dos quais R$ 74,6 milhões teriam sido efetivamente pagos. 

“Acho que essa questão do Master e da operação Drácon vão causar problemas para o atual governo, e o PL não pode ficar sem candidato. Então lancei a (pré) candidatura e estou na rua em pré-campanha. Até as convenções, muitas coisas vão mudar, e estou apostando que vamos viabilizar essa candidatura”, afirmou o senador e pré-candidato ao governo.

Michelle sobe o tom contra Izalci Lucas, que mantém pré-campanha ao governo

A tarefa do senador para mover o PL rumo a uma candidatura própria não será fácil. “Causa estranheza a matéria que menciona o senador Izalci Lucas como pré-candidato ao governo do Distrito Federal pelo PL, sem que haja qualquer construção legítima nesse sentido”, rebateu Michelle Bolsonaro pelas redes sociais, logo após o discurso do correligionário no Senado.

“Esclareço que estive em contato direto com a presidente do diretório do DF, a deputada Bia Kicis, que foi categórica ao afirmar que não ocorreu nenhuma reunião, deliberação ou alinhamento que sustente tal afirmação. Reforço, ainda que, em reunião no Partido Liberal com o presidente Valdemar Costa Neto, ficou definido o apoio à pré-candidatura de Celina Leão”, respondeu a ex-primeira-dama e pré-candidata ao Senado.

Nenhum correligionário de peso saiu a público em defesa da pré-candidatura de Izalci Lucas, o que pode indicar o isolamento da posição dele dentro do partido. No discurso feito na tribuna do Senado em resposta no dia seguinte, ele criticou a operação entre o Banco de Brasília e o Banco Master.

O parlamentar lembrou que o BRB gastou cerca de R$ 30 bilhões, mesmo diante de alertas sobre possíveis riscos. Ele defendeu o aprofundamento das investigações para esclarecer os critérios adotados e as responsabilidades envolvidas.

Nas redes sociais, o líder da oposição deu início à pré-campanha e passou a atacar Celina Leão. Ele relembrou a ligação do partido dela com a indicação de Paulo Henrique Costa para a presidência do BRB, suspeito de ser elo com o Banco Master.

“Quem indicou Paulo Henrique Costa para a presidência do BRB foi Ciro Nogueira — presidente do partido de Celina Leão. O PP fez do DF um balcão de negócios”, atacou Lucas. “Não sou alvo de investigações criminais, o meu nome não está envolvido em escândalos e não sou réu em processos que colocam em risco o meu mandato parlamentar”, disparou no dia seguinte.

De lá para cá, foram pelo menos 15 postagens de cunho eleitoral, promovendo sua pré-campanha ou com ataques à governadora do DF. O senador não descarta concorrer a outro cargo caso a candidatura ao governo não saia do papel, como ao Senado ou à Câmara dos Deputados, decisão que também depende do aval do PL.

Ele ainda disse que não cogitou trocar de legenda durante a janela partidária. “Até cheguei a receber um convite de aliados para entrar para o PSD e sair como vice do [José Roberto] Arruda, mas não tem nada a ver, a minha identificação é com o eleitor do PL e é pelo partido que quero sair candidato.”

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